A maior parte dos escritórios de advocacia não tem um funil de vendas: tem uma lista de conversas em andamento. A diferença entre as duas coisas é o que permite prever receita, cobrar follow-up e perceber cedo que uma oportunidade esfriou.
Por que funil e não agenda
Agenda responde "com quem eu falo hoje". Funil responde "quanto entra no próximo trimestre". São perguntas diferentes e o escritório precisa das duas. Sem funil, cada sócio estima o futuro pela própria memória, e a estimativa quase sempre é otimista.
As etapas que funcionam no jurídico
1. Contato recebido. Alguém procurou o escritório e ainda não houve conversa qualificada. Aqui o relógio corre: contatos respondidos em até uma hora convertem muito mais do que os respondidos no dia seguinte.
2. Qualificado. Já se sabe a área, a complexidade aproximada, a urgência e se o escritório atua naquele tipo de caso. O que não se qualifica não deve virar oportunidade: vira orientação e encerra.
3. Reunião realizada. A consulta inicial aconteceu de fato. Esta etapa separa intenção de compromisso.
4. Proposta enviada. Honorários, escopo e condições registrados por escrito, com data de envio.
5. Negociação. Houve retorno e existe ajuste em discussão. Sem retorno, a proposta não está em negociação, está em follow-up.
6. Contratado. Contrato assinado e primeira cobrança emitida. É o único ponto em que a oportunidade sai do funil comercial.
Perdido. Toda oportunidade encerrada precisa de motivo registrado: preço, prazo, área não atendida, escolheu outro escritório, perdeu contato. O motivo é o dado mais valioso do funil, porque diz o que corrigir.
Critérios de passagem, não carimbo
O erro mais comum é mover o card porque a conversa "está indo bem". Defina o que precisa existir para cada etapa avançar: documento recebido, reunião marcada no calendário, proposta enviada com número de protocolo. Critério objetivo é o que impede o funil de virar ficção.
Quatro métricas que já mudam a gestão
- Contatos por origem. Onde o escritório realmente é encontrado: indicação, busca orgânica, redes sociais, eventos.
- Taxa de conversão por etapa. O gargalo costuma aparecer onde há muito volume e pouca passagem, tipicamente entre qualificado e reunião realizada.
- Tempo em cada etapa. Oportunidade parada há dez dias em "reunião realizada" não está em andamento, está esquecida.
- Ticket médio por tipo de caso. Mostra quais causas sustentam o escritório e quais consomem tempo sem retorno.
Governança mínima
Escolha uma reunião semanal curta, de 20 minutos, para revisar o funil com quem atende. Nela só se discutem três coisas: o que andou, o que travou e quem faz o quê até a próxima semana. O restante do acompanhamento deve viver no CRM, não na reunião.
Funil bem-feito não transforma advogado em vendedor. Ele devolve ao escritório a informação que hoje está espalhada na cabeça de cada sócio.
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